Magalu bate R$ 100 mi pelo WhatsApp da Lu e redefine o e-commerce com IA
Canal conversacional com inteligência artificial agêntica atinge 7,7 milhões de usuários e conversão três vezes superior aos demais canais digitais da varejista. O caso vira referência global e ganha Leão em Cannes 2026.
Conteúdo editorial do HDI Enterprise News sobre o mercado. Empresas, números e citações são das fontes mencionadas no texto e não descrevem clientes nem resultados da HDI.
O varejo brasileiro acaba de registrar um marco sem precedentes no uso de inteligência artificial aplicada ao e-commerce e ao marketing digital. O WhatsApp da Lu, plataforma de IA commerce desenvolvida pelo Magazine Luiza (Magalu), ultrapassou R$ 100 milhões em vendas em apenas oito meses de operação, segundo anúncio oficial da companhia em 7 de julho de 2026. O resultado posiciona o Brasil como pioneiro mundial em compra conversacional mediada por IA agêntica, modelo em que toda a jornada — da descoberta ao pós-venda — acontece dentro de um único fio de conversa no aplicativo de mensagens mais popular do país.
Da persona à plataforma: como a Lu virou vendedora
Lançado em novembro de 2025 para um grupo inicial de 1 milhão de clientes recorrentes, o WhatsApp da Lu, ferramenta de IA commerce desenvolvida pelo Magalu, acaba de ultrapassar a marca de R$ 100 milhões em vendas — e a plataforma foi pioneira no mundo ao utilizar inteligência artificial para guiar todo o processo de compra dentro do aplicativo de mensagens, da recomendação de produtos ao pós-venda. O novo canal registrou conversão três vezes maior que os já existentes, foi utilizado por 7,7 milhões de usuários únicos e conquistou nota 84,5 de NPS, principal métrica global para medir a satisfação e a lealdade dos clientes.
Capaz de compreender comandos por texto, imagens e mensagens de voz, o WhatsApp da Lu é acionado pelo cliente e, com base no pedido, apresenta recomendações entre os 300 mil parceiros da plataforma, guia todo o processo de compra e também auxilia no pós-venda. O pagamento por Pix ou cartão de crédito é realizado dentro da própria interface de mensagens, sem a necessidade de redirecionamento para sites ou aplicativos externos, reduzindo etapas e simplificando o processo de compra. Segundo o Magalu, 80% dos clientes identificaram no atendimento do canal agilidade, praticidade, rapidez e qualidade.
A tecnologia desenvolvida pelo time do Luizalabs, vertical de tecnologia do Magalu, foi construída em parceria com a Meta, dona do WhatsApp, e o Google, e passa por melhorias constantes para tornar a experiência de compra cada vez mais conversacional e agêntica. Por trás da conversa há uma arquitetura híbrida: um orquestrador decide, a cada turno, qual "agente de IA" entra em campo — o que busca produtos, o que compara especificações, o que cuida do carrinho. Para cada tarefa, escolhe-se o modelo adequado: Gemini para visão e comparações mais pesadas; modelos abertos para respostas rápidas; e LLMs maiores quando a conversa pede raciocínio mais profundo.
Marketing conversacional e reconhecimento em Cannes
O desempenho comercial veio acompanhado de uma estratégia de marketing igualmente ousada. Em maio, durante o Dia das Mães, a empresa lançou uma experiência que permitia criar vídeos personalizados a partir de uma foto, um áudio e poucas informações fornecidas pelo usuário — ação que atraiu novos consumidores para o canal. Já em junho, a companhia levou o WhatsApp da Lu para a TV aberta em sua primeira campanha dedicada ao novo modelo de compras, desenvolvida em parceria com a Ogilvy. A campanha do Dia das Mães foi um sucesso de atração, com 65% dos participantes formados por novos usuários do canal.
O WhatsApp da Lu conquistou o Leão de Bronze do Festival Internacional de Criatividade de Cannes 2026. O case "Uma Agente 'Como a Gente'", assinado pela Ogilvy Brasil, foi premiado na categoria "Inovação em Canal de Vendas", reconhecimento à iniciativa que redesenhou a jornada de compra aliada à força da Lu, uma das maiores influenciadoras virtuais do mundo. Nas palavras de Felipe Cohen, CMO do Magalu: "Esse reconhecimento em Cannes mostra que o futuro do varejo não está apenas em usar inteligência artificial, mas em reinventar a forma como as pessoas compram. Com o WhatsApp da Lu, não estamos apenas usando inteligência artificial agêntica, mas resgatando um atendimento com calor humano no ambiente digital com uma jornada 100% conversacional."
O contexto global: IA reescreve as regras do tráfego e da conversão
O caso Magalu não é isolado — ele se insere em uma transformação estrutural do e-commerce global. Dados da Adobe Analytics mostram que o tráfego proveniente de fontes de IA para os sites de varejistas dos EUA cresceu 269% em março de 2026 em relação ao ano anterior, acumulando 393% de crescimento no primeiro trimestre de 2026. Mais revelador do que o volume é a qualidade desse tráfego: a Adobe constatou que o tráfego originado por IA converteu 42% melhor do que o de clientes que chegam por canais tradicionais em março de 2026 — uma reversão completa do cenário de março de 2025, quando esse mesmo tráfego convertia 38% pior do que o não-IA.
Quando um consumidor chega a um site de varejo via fonte de IA, sua taxa de engajamento tende a ser 12% maior; os compradores permanecem 48% mais tempo no site, navegam por 13% mais páginas por visita, e a receita por visita gerada pelo tráfego de IA é 37% maior do que a do tráfego não-IA. Para o varejo brasileiro, a mensagem é direta: assistentes de IA avaliam a credibilidade da marca para decidir o que recomendar, utilizando avaliações em plataformas como o Reclame Aqui, presença consistente em fontes confiáveis e volume de menções positivas no digital — e uma empresa que negligenciou sua reputação aparecerá menos nas respostas do ChatGPT, independentemente do quanto investiu em tráfego pago. O e-commerce, definitivamente, nunca mais será o mesmo.