Construção & Incorporação

IA lê plantas e gera quantitativos: Construmanager lança solução que redefine o orçamento de obras

Plataforma do Sienge automatiza a leitura de projetos em PDF e a extração de quantitativos para a pré-construção. O lançamento, apresentado no Construsummit 2026, expõe uma ruptura silenciosa no processo de orçamentação do setor.

Conteúdo editorial do HDI Enterprise News sobre o mercado. Empresas, números e citações são das fontes mencionadas no texto e não descrevem clientes nem resultados da HDI.

IA lê plantas e gera quantitativos: Construmanager lança solução que redefine o orçamento de obras

Em um setor historicamente marcado por planilhas desconexas, retrabalho e orçamentos elaborados quase inteiramente à mão, uma novidade apresentada nas últimas semanas em Florianópolis sinalizou que o jogo mudou de vez. O Construmanager, plataforma de gestão de projetos e BIM do Sienge, lançou uma nova solução baseada em inteligência artificial capaz de automatizar a leitura de plantas técnicas e a geração de quantitativos utilizados na pré-construção. A novidade foi apresentada durante o Construsummit 2026, em Florianópolis. O evento reuniu executivos e especialistas do setor num dos momentos mais densos de transformação digital já vividos pela indústria da construção civil brasileira.

Da planta ao dado: como funciona a automação

Segundo a empresa, o sistema interpreta plantas em PDF, identifica elementos construtivos e transforma as informações em dados estruturados para uso em orçamento e planejamento. Na prática, a solução automatiza o levantamento de quantitativos, atividade tradicionalmente realizada de forma manual por engenheiros e orçamentistas. O objetivo é reduzir o tempo de execução, aumentar a padronização das informações e melhorar a confiabilidade dos dados utilizados na tomada de decisão. A plataforma já acumula um histórico expressivo no mercado: ela já gerenciou mais de 150 mil projetos e passa a incorporar a tecnologia como forma de ampliar a eficiência na etapa de pré-obra.

A diretora de Operações do Sienge, Roberta Chicoli, resume a aposta estratégica da empresa. "O próximo passo da transformação digital da construção civil está na capacidade de converter documentos técnicos em dados inteligentes aplicados à pré-construção", afirma. Segundo ela, a automação reduz a dependência de interpretações individuais e libera equipes para atividades de análise e decisão.

BIM 5D e IA: a engenharia de custos entra na era dos dados

O lançamento do Construmanager não é um caso isolado — é a ponta visível de uma transformação estrutural em curso globalmente. A integração entre BIM e IA potencializa as duas tecnologias: o BIM provê dados ricos e rastreáveis, a IA extrai inteligência desses dados para subsidiar decisões de orçamento, prazo e gestão. No contexto do orçamento 5D, por exemplo, a IA pode automatizar parte do cruzamento entre quantitativos do modelo e as composições de preço das tabelas de referência, reduzindo drasticamente o tempo de elaboração e o risco de erro manual. No Brasil, esse movimento ganha impulso adicional pela obrigatoriedade progressiva do BIM em obras públicas, estabelecida pela Estratégia BIM BR.

No plano internacional, a Trimble reforçou o mesmo vetor em março de 2026. A empresa introduziu a versão 2026 de seu software Tekla para BIM construtivo, engenharia estrutural e gestão de fabricação em aço, entregando fluxos de trabalho orientados a dados que conectam projeto e construção. A versão acelera todo o processo de design ao detalhamento, reduzindo esforço manual e retrabalho. Entre os destaques, a suíte inclui "AI Cloud Fabrication Drawings", um serviço com "human in the loop" que usa bibliotecas de desenhos de projetos anteriores para gerar automaticamente desenhos de fabricação. Segundo Jari Heino, VP e GM de soluções BIM e engenharia da Trimble, "o suite Tekla 2026 representa um salto significativo em como ferramentas habilitadas por IA e nuvem podem aumentar a produtividade."

Mercado em aceleração e o novo perfil do orçamentista

Os números de mercado sustentam o otimismo das empresas. Dados recentes do Fortune Business Insights avaliam o mercado global de software BIM para construção em quase US$ 10,27 bilhões em 2026, com projeção de ultrapassar US$ 27 bilhões até 2034. Esse crescimento não é apenas quantitativo — indica uma mudança fundamental do modelamento 3D estático para um BIM "agêntico", onde assistentes orientados por IA controlam proativamente conflitos de projeto, cronogramas e custos antes que impactem o canteiro físico. No Brasil, segundo o Termômetro Falconi, o uso de IA na construção saltou de 15% em 2023 para 38% em 2025, com empresas de alto grau de adoção registrando ganhos de até 15% em produtividade.

Para as construtoras e incorporadoras que ainda operam com planilhas desconexas, o recado é direto. Sistemas com IA conseguem sugerir composições de preço a partir de descrições de serviços, identificar insumos semelhantes em bases de dados e cruzar referências de múltiplas tabelas de forma automática. O que antes levava horas de consulta manual pode ser gerado em minutos, com rastreabilidade e referência técnica embutidas. O impacto atinge diferentes funções dentro das empresas — engenheiros de projetos, orçamentistas e coordenadores técnicos —, que passam a contar com mais padronização e consistência nas informações desde as etapas iniciais dos empreendimentos. A transformação, no entanto, não elimina o especialista: ela o eleva. A inteligência artificial não veio para substituir o engenheiro orçamentista, mas para atuar como um copiloto de alta performance, processando volumes massivos de dados em segundos, identificando padrões históricos e automatizando tarefas repetitivas que antes levavam dias.

Perguntas frequentes

O que é o Construmanager e o que foi lançado no Construsummit 2026?
O Construmanager é a plataforma de gestão de projetos e BIM do Sienge; no Construsummit 2026, em Florianópolis, lançou uma solução de IA que lê plantas em PDF e gera quantitativos automaticamente para orçamento e planejamento de pré-obra.
A inteligência artificial vai substituir o engenheiro orçamentista?
Não — a IA automatiza tarefas repetitivas como leitura de plantas e levantamento de quantitativos, mas a validação técnica, o ajuste do BDI e a análise de riscos permanecem como responsabilidade essencial do profissional humano.
Converse com a HDI

Fale sobre a sua operação.

Conte onde a empresa precisa de resultado. A equipe da HDI retorna para entender o contexto e combinar os próximos passos.