Varejo

IA assume o comando do estoque e do preço no varejo brasileiro em 2026

De farmácias a atacarejos, empresas como Panvel, Assaí e iFood já colhem resultados concretos ao deixar algoritmos decidirem quanto pedir, quanto cobrar e quando ajustar.

Conteúdo editorial do HDI Enterprise News sobre o mercado. Empresas, números e citações são das fontes mencionadas no texto e não descrevem clientes nem resultados da HDI.

IA assume o comando do estoque e do preço no varejo brasileiro em 2026

O varejo brasileiro virou laboratório de inteligência artificial — e os resultados saíram do papel. Em junho de 2026, durante o Digitail Conference, realizado na ESPM em São Paulo, executivos de grandes redes revelaram números que transformam o debate sobre IA de tendência em métrica de negócio. O epicentro da mudança está em duas funções historicamente analógicas: a gestão de estoque e a precificação. Em 2026, a tecnologia já está presente em decisões de estoque, atendimento ao cliente, precificação e logística em empresas de diferentes portes no Brasil.

Panvel: ruptura controlada, tempo de giro encolhido

O Grupo Panvel, maior rede de farmácias do Sul do país com mais de 650 lojas físicas, é um dos casos mais bem documentados. Na Panvel, a IA é utilizada para apoiar decisões de precificação, abastecimento, logística e atendimento, além de prever a demanda por produtos e ajustar níveis de estoque — e com a tecnologia, a ruptura de produtos caiu em um ponto percentual e o tempo de estoque diminuiu em 15 dias ao longo de um ano. Para Rafael Monteiro, diretor de Digital e Clientes da companhia, a abrangência é estrutural:

Os efeitos aparecem também nos resultados financeiros. O Grupo Panvel registrou lucro líquido ajustado de R$ 38,5 milhões no primeiro trimestre de 2026, alta de 38,1% na comparação anual, com Ebitda ajustado de R$ 81,2 milhões, crescimento de 25,6%. A companhia ainda busca ampliar margens com iniciativas voltadas à inteligência artificial — em especial precificação e revisão de processos — e reduções de despesas operacionais já observadas no 1T26.

Assaí e iFood: 25 bilhões de decisões preditivas por mês

No atacarejo, o Assaí Atacadista adota uma abordagem igualmente agressiva. No Assaí, a Inteligência Artificial trabalha antes mesmo de o cliente entrar na loja — ela ajuda a definir preços, organizar o abastecimento das lojas, processar dados e sustentar operações digitais que conectam a empresa a plataformas como iFood e Mercado Livre. A rede tem mais de 70 projetos de inteligência artificial em andamento, cobrindo precificação, logística, abastecimento e automação de processos administrativos. Para Celso Mota, Diretor de TI do Assaí, o desafio já não é adotar IA — a tecnologia faz parte do cotidiano —, mas fazer com que ela gere resultado concreto para o negócio.

O iFood, por sua vez, opera em outra escala de processamento. Com 25 bilhões de decisões preditivas processadas por mês e uma base de 16 petabytes de dados, o iFood utiliza inteligência artificial para apoiar atividades como roteirização de entregas, definição de preços e relacionamento com clientes. Para Samuel James, vice-presidente do iFood e ex-executivo do Carrefour, o impacto mais relevante da tecnologia ainda está concentrado na operação: "O maior impacto, particularmente para o varejo, ainda está no arroz e feijão", afirmou, indicando que os avanços mais expressivos estão na logística e na gestão das operações.

Da planilha ao agente: a virada estrutural na precificação

O movimento vai além de automação pontual. Assortments explodidos, calendários promocionais comprimidos e marketplaces que publicam preços dos concorrentes por minuto tornaram a precificação uma disciplina em tempo real — e é aí que agentes de IA passam a importar no nível executivo. Um agente de precificação observa um campo muito mais amplo — velocidade de vendas, elasticidade por segmento, movimentos da concorrência, cobertura de estoque, sobreposição promocional, clima e eventos locais — e raciocina sobre trade-offs, pesando margem contra volume, posição competitiva e risco de inventário para escolher um preço que equilibre tudo isso.

Em empresas mais avançadas, já existem pilotos em que conjuntos de agentes trabalham de forma coordenada: um cuida de precificação dinâmica, outro de ajuste de estoque, outro personaliza ofertas em tempo real — todos orquestrados para um objetivo de negócio comum, sob supervisão humana mínima. O cenário é respaldado pelo mercado global: o mercado de IA em gestão de estoque foi avaliado em USD 9,54 bilhões em 2025, crescendo para USD 12,36 bilhões em 2026, com projeção de atingir USD 30,01 bilhões até 2030 a um CAGR de 24,8%.

No Brasil, o impacto quantitativo já é documentado em casos como o da varejista de alimentos MRL. A empresa elevou a acurácia de previsão de demanda de 24% para 76%, reduziu o desperdício em até 30%, melhorou a disponibilidade de produtos nas prateleiras de 80% para 90% e registrou aumento de 25% no lucro bruto após adotar IA na gestão de estoque. Para o setor, a mensagem é direta: "O pricing inteligente não é mais uma tendência, é uma necessidade competitiva" — e em um cenário marcado por volatilidade de custos e consumidores cada vez mais exigentes, a IA aplicada à precificação surge como um dos principais impulsionadores de resultado no varejo.

Perguntas frequentes

O que é precificação dinâmica com IA no varejo?
É o uso de algoritmos que ajustam preços em tempo real com base em demanda, nível de estoque, concorrência e elasticidade de cada produto ou SKU.
Quais empresas brasileiras já usam IA para gestão de estoque em 2026?
Panvel, Assaí, Grupo Pão de Açúcar, iFood e a varejista de alimentos MRL são casos documentados com resultados mensuráveis em 2026.
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