Imagine que você tem 3.000 SKUs no estoque da sua rede. Desses 3.000, quantos realmente sustentam o seu faturamento? A resposta, na imensa maioria dos casos, é que cerca de 600 produtos — 20% do total — respondem por 80% de tudo que você vende.
Esse é o princípio de Pareto aplicado ao estoque, e a ferramenta que organiza essa informação se chama Curva ABC. É um dos conceitos mais simples e mais poderosos da gestão de varejo. E, paradoxalmente, é ignorado por 8 em cada 10 redes.
Como funciona a classificação
A lógica é direta. Você pega todos os seus produtos, ordena por faturamento, e divide em três faixas:
Classe A: os 20% dos produtos que representam 80% do faturamento. São os campeões. Se um produto Classe A falta na prateleira, você perde vendas que não recupera.
Classe B: os próximos 30% dos produtos, que representam cerca de 15% do faturamento. São importantes, mas não críticos no curto prazo.
Classe C: os 50% restantes, que representam apenas 5% do faturamento. Muitos desses são candidatos a saírem do mix.
O erro que custa caro: tratar todo produto igual
A maioria das redes faz reposição por intuição ou por agenda fixa. Toda segunda-feira faz pedido. Ou quando o estoque parece baixo, alguém preenche uma planilha. O problema é que nesse modelo, o produto Classe C recebe a mesma atenção que o Classe A.
O resultado? Capital travado em produto que quase não vende, enquanto o produto campeão de vendas está zerado esperando o próximo pedido. É como dar a mesma atenção para um cliente que gasta R$10 mil por mês e um que comprou uma vez há dois anos.
Curva ABC por loja: o detalhe que muda tudo
A Curva ABC da rede não é igual à Curva ABC de cada loja. Um produto pode ser Classe A numa loja de shopping e Classe C numa loja de bairro. O público muda, a demanda muda, o mix ideal muda.
Monitorar a Curva ABC no nível da loja permite decisões cirúrgicas: transferir estoque parado de uma unidade para outra onde o mesmo produto é campeão de vendas. Essa movimentação sozinha pode liberar dezenas de milhares de reais em capital de giro sem comprar um único produto novo.
O custo invisível da ruptura em Classe A
Quando um produto Classe A fica zerado, a perda não é apenas a venda daquele item. O cliente que entrou na loja especificamente por ele sai frustrado. Alguns vão ao concorrente. Alguns nunca mais voltam. O custo real da ruptura em Curva A é a venda perdida mais o lifetime value do cliente perdido.
Por isso, o monitoramento de estoque de produtos Classe A precisa ser em tempo real, não semanal. Quando a velocidade de venda indica que o estoque vai zerar em 3 dias, é hora de agir. Não quando já zerou.
Como implementar na prática
Se você tem um ERP, os dados para calcular a Curva ABC já existem. O desafio é processar, atualizar e agir em cima dessa informação diariamente, para cada loja, sem depender de planilha manual. É aqui que a maioria desiste — porque fazer isso manualmente para 20, 30, 50 lojas é inviável.
A solução é automatizar. Um sistema que puxa os dados de venda do ERP, calcula a classificação ABC automaticamente, e te avisa quando um produto crítico está em risco. Não um dashboard que você precisa lembrar de abrir. Um alerta que chega até você.